Jogo é coisa de criança?

Assinar RSS!

publicado em 12.10.2018 por Galápagos Jogos

Por Eduardo Guerra

Existe uma certa cobrança da sociedade para que, ao se tornar adulto, um indivíduo se transforme em alguém mais sério e deixe para trás coisas que são consideradas “de criança”. Entre as coisas que são deixadas de lado estão os brinquedos, dentre os quais muitos acabam incluindo os jogos de tabuleiro. Por muitas vezes, já percebi olhares de julgamento quando as pessoas veem minha coleção de jogos, me encontram no meio de uma partida ou simplesmente quando falo sobre o assunto. Algo como “será que ele não cresceu?”.

Mas o que é “agir como um adulto”? Talvez uma boa parcela tenha a ver com adquirir maturidade em lidar com as coisas da vida e em saber assumir e honrar suas responsabilidades. Porém, se você parar para pensar, nada disso tem a ver com deixar de se divertir... Usar sua imaginação, resolver problemas desafiadores e interagir com outras pessoas são atividades que em nada interferem com responsabilidade ou qualquer outra característica que seja “de adulto”. Então, por que existe esse estigma?

Quando passamos pela adolescência e entramos na vida adulta, descobrimos um novo mundo de possibilidades, com várias coisas que não eram acessíveis as crianças. Sendo assim, deixamos para trás tudo aquilo que fazíamos quando criança, mas acabamos, talvez até mesmo sem querer, incluindo as coisas boas e divertidas... A boa notícia é que não precisamos fazer isso! Não precisamos perder essa capacidade de entrar em mundos de fantasia através de nossa imaginação. Se por acaso você sente falta de sentar em torno de uma mesa com seus amigos ou sua família para curtir um bom jogo, não é tarde demais.

Como testemunho pessoal, assim que comecei a trabalhar, minha vida inteira girava em torno de coisas relacionadas ao trabalho. Um dia, passeando pela rua, vi uma revista em quadrinhos, me deu aquela saudade e resolvi comprar. Fazia tempo que não me divertia tanto! Decidi, então, mergulhar nas coisas que gostava quando era mais novo e acabei entrando em contato com os jogos de tabuleiro modernos. Daí descobri que, mesmo na vida adulta, eu conseguia um tempinho para enfrentar uma horda de zumbis, comandar uma grande cidade do mundo antigo ou mesmo selecionar e posicionar alguns belos azulejos portugueses. Isso tudo acompanhado de grandes amigos e pessoas queridas da família!

Mas qual a conclusão? Joguinho é coisa de criança? A resposta é “claro que sim!”, mas também é coisa de adolescente e de adulto. Na verdade, jogos são para pessoas de qualquer idade. Pensando bem, maturidade mesmo é assumir as atividades que gosta de fazer, independente do que as outras pessoas vão pensar. E então, vamos jogar?

*Eduardo Guerra é pesquisador na área de computação e pai da Duda e da Bia, suas fiéis companheiras de jogatina. Se considera um jogador de RPG que se apaixonou pelos jogos de tabuleiro, vivendo atrás dos mais "diferentosos". Busca se aventurar no mundo do design de jogos analógicos e está sempre falando sobre suas ideias no canal 3DU's

#COMPARTILHE

Facebook
Twitter
Feed RSS
Assinar RSS!

Comentários

Galapagos default user image
Heitor disse:
15 de Outubro de 2018, 17:31

Vale lembrar que quando jogos como Gamão, Xadrez, Mancala, Senet e até mesmo o clássico baralho surgiram, não foram destinadas a crianças, e sim adultas. A adaptação de jogos para uma idade menor é extremamente recente.


Faça login ou crie uma conta para comentar!

Fazer Login